Como é passar o Natal com uma família mexicana

Fazia pouco mais de uma semana que estávamos aqui quando uma amiga nos convidou para passar o Natal com sua família, na cidade de Puebla. Pensamos um pouco (mais por vergonha do que por qualquer outra coisa) e resolvemos topar. Meus dois últimos Natais tinham sido passados em pleno avião e fazia bastante tempo que eu não me dedicava à data, então era certo que a experiência seria uma ótima oportunidade para ver de perto a cultura local. 🙂

No dia, estávamos mega inseguros e não sabíamos se deveríamos levar algo, qual roupa colocar ou como nos comportar. Mesmo assim, foi só chegar na casa da família dela que as coisas aconteceram de uma maneira super natural. Ao todo, eram umas 30 pessoas na festa, que teve tudo o que se tem direito por essas bandas.

Inicialmente, a festa era bem parecida com uma comemoração brazuca: árvore de Natal, muitos presentes e a familiarada toda reunida em volta da mesa esperando as 12 badaladas. Vale lembrar que por aqui não é apenas o Papai Noel que traz presentes para os pequenos no Natal, mas também os Reis Magos, no dia 6 de janeiro.

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Posadas

Como Puebla é uma cidade super religiosa (existem milhares de igrejas por metro quadrado aqui), a comemoração começou com as Posadas, uma espécie de encenação dos dias em que José e Maria buscavam um lugar onde dormir. Segundo me explicou minha amiga (que, por sinal, é a responsável pelo ótimo Guía Para Perderse en Puebla), as Posadas começam no dia 16 de dezembro e vão até o dia 24. Nessa época, é comum fazer essa encenação e é também quando costumam se encontrar muitas piñatas pelas ruas – mas a gente logo fala sobre isso.

Quando começou a Posada, nos ofereceram velas coloridas, como as de aniversário de crianças. Cada pessoa ficava com uma velinha acesa. Depois, a festa se dividiu: metade ficava fora da casa, “pedindo posada”; enquanto a outra metade ficava dentro. Eles também distribuíram alguns livrinhos com músicas típicas para a representação – assim, mesmo quem não sabia a letra podia acompanhar a cantoria. Claro que a gente morreu de vergonha, mas participamos direitinho da festa. Ó só:

Navidad

∴ Aqui dá para conferir as músicas usadas durante as posadas ∴

A hora da piñata

Depois dessa parte, começou a brincadeira da piñata. Nessa hora, todos foram para fora de novo. A piñata é pendurada em um lugar mais alto (no caso, ela pendia da janela do segundo andar da casa) e os convidados tentam rompê-la com pauladas, usando um cabo de vassoura. É um pouco agressivo, mas bem engraçado e muuuuito mais difícil do que parece.

Em geral, quem começa são os mais novos da família. No nosso caso, era um mexicanito-coisa-mais-linda de apenas 2 anos quem tentava destruir a piñata a pauladas, enquanto as pessoas ao redor cantam uma música (sim, o povo é bem musical por aqui) que marca o tempo que cada um tem para tentar quebrar o objeto. Quando termina a música, é a vez da próxima pessoa mais nova da roda e assim sucessivamente, até que alguém consiga efetivamente destruir a piñata. E olha que não é fácil: eu dei algumas pauladas bem fortes nela e nada… 🙁 Para se ter uma ideia, teve até um dos cabos de vassoura que foi quebrado durante a brincadeira.

As piñatas também têm um significado religioso. Nos contaram aqui que elas foram usadas pelos espanhóis como uma forma de catequizar os povos originários da região, explicando os sete pecados capitais. A piñata original tinha 7 pontas, uma para cada pecado, embora hoje se encontrem de diferentes formatos. E, como os espanhóis eram muito criativos, a destruição do objeto era também um símbolo para a destruição dos pecados, né?

Piñata - Natal com uma família mexicana

A piñata não pode faltar quando se passa o Natal com uma família mexicana!

De qualquer jeito, hoje o momento é muito mais uma brincadeira do que um ritual religioso em si. Lembra daqueles balões surpresa que eram comuns nas festas de crianças nos anos 90? A ideia é quase a mesma, já que a piñata é recheada de doces e guloseimas, que se espalham pelo chão assim que alguém consegue quebrá-la. É nessa hora que adultos e crianças se esforçam para recolher o máximo de doces que conseguirem – sim, todo mundo se joga no chão como se não houvesse amanhã.

O legal é que mesmo quem não consegue recolher doces também ganha uma espécie de prêmio de consolação: o aguinaldo. É um saquinho com pelo menos um de cada doce que há dentro da piñata. Dizem que foi daí que surgiu o termo que dá nome ao décimo terceiro salário em diversos países hispânicos (por esses lados, ele é conhecido como aguinaldo, por ser uma espécie de bônus).

Comida natalina

Quando o assunto é comida, sempre há muita quantidade, como em qualquer dia no México – já estou me preparando psicologicamente para meu encontro com a balança… Na festa que fomos tinha um peru com um mole especial (receita de família), feijão e lasanha, mas nos contaram que o mais comum é que o peru seja recheado mesmo.

Na dúvida, a gente só sabe que a comida estava uma delícia, como quase tudo que provamos por aqui – e que ela é feita para sobrar, já que o almoço do dia 25 de dezembro é conhecido como “recalentado“, quando a família volta a se reunir para comer o que sobrou da festa.

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Depois de me formar em comunicação, passei um tempo morando na Argentina, Irlanda e na Romênia. Foi morando cada vez menos que esqueci o significado da palavra e hoje mantenho a capital gaúcha como sede dessa vida quase nômade.

Comenta aí, vai! :D

3 comments

  1. Pingback: Viajando pelo México: o que fazer em Puebla? – Quase Nômade

  2. Rafa

    <3 <3 <3
    Extraño a la autora del post y a la amiga anfitriona.
    🙂 🙂 🙂

    • MariDutra

      hahaha, reencontrei a amiga anfitriona essa semana na Cidade do México e aproveitei para dar o recado. <3