Como ser um nômade digital e quanto custa esse estilo de vida

Esse não é mais um texto otimista falando sobre como ser um nômade digital e todas as delícias deste estilo de vida. Se você quer ler sobre isso, tem bastante gente falando sobre o assunto já pela internê afora.

Ao invés disso, vamos falar sobre dinheiro! Qual o custo de levar essa vida um pouco diferente?

Você vai ter que se acostumar a gastar fortunas em saques bancários internacionais, IOF, taxas de todos os gêneros, pagar mais caro pelo aluguel de apartamento que você nunca sabe se terá um wi-fi confiável e ainda conviver com a instabilidade no trabalho, em alguns casos.

Caso viaje apenas alguns meses por ano, como é meu caso, a situação fica mais complicada, já que você provavelmente terá contas tanto no Brasil quanto no país em que estiver. Mesmo assim, eu acho que vale mesmo a pena tudo isso, desde que você esteja ciente de que ser um nômade digital tem muito menos glamour do que a maioria das pessoas comenta por aí – e continua sendo MARAVILHOSO! ♥

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Como eu faço com o dinheiro?

Infelizmente, ainda não é possível receber dinheiro através da internet e imprimi-lo na sua própria casa. Para isso, há várias maneiras de administrar o dinheiro quando se lida com diferentes moedas e câmbios. A primeira delas é também a mais simples: ter uma conta bancária no Brasil habilitada para sacar em todos os países por onde viajar. A habilitação pode ser feita online, o que significa que, caso mude de planos no caminho, nem tudo estará perdido.

Sacando dinheiro no exterior

Sempre que sacar dinheiro no exterior, o saque será feito em moeda local (seja em Buenos Aires ou no interior da Romênia). Na maioria dos bancos, existe um custo por saque, além da cobrança de 6,38% de IOF (aplicável em qualquer transação internacional). No Banco do Brasil, o saque custa R$ 22, enquanto no Santander há uma cobrança de R$ 24,20 por transação. Para clientes Santander Select, os saques na função débito são gratuitos em todas as agências da rede.

Dependendo do destino, do seu tipo de conta e do caixa em que sacar, você poderá escolher entre resgatar o dinheiro diretamente da conta corrente, como ocorre no Brasil, ou fazer um saque no cartão de crédito. Quando o dinheiro for retirado na função crédito, a cobrança também fica sujeita à variação cambial (que já estragou minha vida mais de uma vez).

Adicione aí um toque especial: em alguns lugares pode ser bem difícil encontrar um caixa eletrônico, enquanto outros dificilmente aceitam pagamentos em cartão. Conviva com isso e seja feliz. Pesquise estes detalhes com antecedência para não passar perrengue no destino para onde você estiver indo.

Como ser um nômade digital e lidar com o dinheiro

Carteiras digitais: Paypal, Pagseguro e Skrill

Alguns trabalhos no exterior exigem que eu possua uma conta no PayPal. Para mim, o sistema sempre foi um ótimo quebra-galhos nesse sentido, apesar de também cobrar taxas e adicionar um passo a mais na burocracia financeira: eu recebo o dinheiro online (pago taxas), passo para a minha conta (é grátis, mas demora 3 dias) e finalmente posso pagar mais taxas para sacar no exterior. SÓ QUE… de uns tempos pra cá, eles fizeram a maior confusão na minha conta, desativaram meu acesso e o suporte oferecido é simplesmente um dos piores da história – demorei mais de dois anos para voltar a ter acesso. O lado positivo é que ele é aceito por diversas companhias aéreas brasileiras, como Latam, Gol e Azul. 😉

A solução temporária foi migrar para o PagSeguro, que funciona de forma semelhante, mas é bem menos aceito. Só usei uma vez e achei estranho porque era preciso esperar 15 dias para que o dinheiro fosse liberado (não sei se ainda funciona assim). Também já usei o Skrill. Eles permitem que você tenha um cartão em moeda estrangeira pagando apenas € 10 por ano, o que é bem bacana para quem está sempre recebendo dinheiro de fora, mas aparentemente a opção ainda não está disponível para residentes no Brasil.

Transferências internacionais

Como eu morei algum tempo na Irlanda, acabei fazendo uma conta lá e pude mantê-la por algum tempo depois de voltar ao Brasil. Nesse período, sempre que ia para um país cuja moeda corrente é o euro, eu tinha essa carta na manga. A transferência dos valores podia ser feita diretamente da minha conta brasileira para lá, através do Santander (com tarifas altíssimas), ou com o Transferwise, com um valor bem mais em conta e um serviço menos burocrático – confira nosso tutorial de como usar o Transferwise. Outra opção é a transferência via Western Union, que nunca usei, mas sobre a qual sempre ouvi bons relatos.

Alugando apartamentos

Alugar apartamento geralmente exige uma burocracia que não raro demora mais de mês. A maioria dos lugares pede que você tenha um fiador na mesma cidade em que aluga o imóvel, além de oferecer contratos com pelo menos 6 meses de duração. Ou seja, seria impraticável tentar alugar uma casa ou apartamento de uma maneira “normal”, através de uma imobiliária. Isso nos leva ao Airbnb, plataforma que amo, indico e que está sendo super útil sempre que viajo. O serviço ao cliente deles é divino e nas (raras) vezes que tive qualquer inconveniente com a plataforma, eles solucionaram rapidamente, pediram mil desculpas e ainda me mimaram com bônus em créditos de viagem! ♥

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No Airbnb você consegue alugar apartamentos em praticamente qualquer canto do mundo e pode ver os depoimentos de pessoas que já se hospedaram no local, além de filtrar por itens que acha essenciais – no meu caso, internet sem fio. A diferença é que a plataforma foi pensada para turistas e você vai pagar preço de turista, que é geralmente o dobro ou o triplo do valor de um aluguel normal, mas mais barato do que um hotel. Mesmo assim tem seu lado bom: os apartamentos são todos mobiliados, muitos deles são a coisa mais linda do mundo e você não vai precisar se preocupar com nada durante o tempo que estiver lá, a não ser lavar sua própria louça e roupa (em alguns casos, nem isso).

 

Dica especial

Quem busca economia pode alugar apenas um quarto em uma casa compartilhada, o que é uma ótima oportunidade de conhecer mais sobre a vida local. Fizemos isso diversas vezes e tivemos experiências incríveis. Mesmo assim, sempre tentamos encontrar um quartinho com banheiro privado para aliar a troca de experiências com um pouco de privacidade. 🙂

Como ser um nômade digital: e o telefone?

Quem trabalha online sabe que a conexão é fundamental.

Então não há nada mais justo do que comprar um chip para poder se manter conectado à internet em qualquer lugar do mundo. É bom incluir esse custo na sua viagem, por menor que ele seja. Na maioria dos países, os chips custam menos de R$ 30 e os custos de um celular pré-pago (você vai ficar pouco tempo no local, então é melhor não fazer contas fixas) não passam de R$ 90 nos planos mais básicos. Recentemente, as cobranças de roaming entre companhias de telefonia europeias terminaram, o que ajuda bastante a comunicação para quem viaja dentro do continente.

Outra opção usada por muitos blogueiros que conhecemos é o EasySim4U. A empresa oferece planos de voz e dados na América do Norte e planos de dados em mais de 140 países ao redor do mundo, com valores a partir de US$ 35 (cerca de R$ 110). Como o chip é entregue antecipadamente no endereço dos clientes, ele permite chegar ao destino já com o pacote de dados funcionando.

Já vimos muitos comentários positivos sobre o serviço da empresa, bem como algumas críticas. Como o serviço muda de país para país, é interessante pesquisar antes sobre o funcionamento do chip no seu destino.

Como ser um nômade digital e quais os custos desse estilo de vida

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As contas que ficam

Há alguns anos, eu já larguei tudo no Brasil e simplesmente fui embora com uma mala na mão e uma passagem aérea na outra. Não deixei nenhuma conta para pagar, cancelei plano de saúde, telefone e duas contas bancárias (sim, eu tinha três). Mas atualmente mantenho Porto Alegre como minha residência fixa e passo no máximo três meses viajando de cada vez. Ou seja, não dá para cancelar conta nenhuma…

Tecnicamente, não posso me considerar mais uma verdadeira “nômade digital“. Ao invés disso, estou mais para uma pessoa que realiza trabalhos remotos & aproveita para viajar bastante graças a isso. Daí já viu: é preciso conviver com contas em dobro. Pagar água, luz, internet, condomínio e até IPTU no Brasil, enquanto somo os gastos extras que listei acima.

Para reduzir essa carga, eu cancelei todas as contas fixas possíveis, coloquei o cartão de crédito e outras contas da casa no débito automático e hoje meu celular é pré-pago. Assim, não preciso lidar com nada disso quando estou viajando. Também descobri recentemente que é possível solicitar uma interrupção de 30 a 120  dias nos serviços de internet, telefone fixo e TV por assinatura – ainda não testei, mas já tá programado para a próxima viagem.

Como ser um nômade digital: a instabilidade

Talvez essa seja a questão mais difícil de lidar para muita gente que pensa em como ser um nômade digital. Simplesmente porque você não sabe quando um trabalho vai embora ou quando outro vai aparecer. Eu cansei de passar dias deitada no tapete olhando pro teto e fazendo contas. O resultado muitas vezes era um desesperado “Não vai dar”. Deu.

Mesmo assim, é essencial ter as finanças bem organizadas e uma poupança de emergência para caso tudo dê errado. Eu tento ter pelo menos o valor equivalente a três meses sem trabalho como uma espécie de “seguro desemprego”. Como não tenho carteira assinada, tenho que me virar caso meu contrato com algum cliente acabe e essa grana guardada dá um respiro até achar um novo job para pagar os boletos da vida.

Programe-se, trace um plano B (e outro para cada letra do alfabeto, se puder) e você vai tirar esses custos de letra. 😉

Nota: os valores apresentados são referentes ao mês de outubro de 2017 e podem sofrer alterações a qualquer momento.


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Apaixonada por contar histórias, trabalha com conteúdo desde 2010. Depois de passar quase três anos morando no exterior, percebeu que poderia carimbar o passaporte mais vezes caso trabalhasse remotamente. Hoje vive em Porto Alegre, onde nasceu, e não precisa mais pedir folga para viajar. Também escreve para os sites Hypeness e Quanto Custa Viajar.

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